The future of banking business

OnlineBankingThe banking business is at a standstill. To be clear I am not talking about the current problems like capitalization and bad loans. I’m talking about the banking business itself. Let’s see what is going on.

As in the recent past happened to the book business (Amazon), to music (Spotify ) and more recently to movies and TV (Netflix), or as is happening with the individual transport business (Uber) or hotels (Airbnb), the banking business is under attack from the digital transformation of the economy.

The so called Fintechs, companies that now provide a range of financial services based on the digital transformation of financial processes and interfaces, are actively taking up more and more of the space that banks have occupied for the past century And they do it at a fraction of the cost that traditional banks have, because by using the new digital approach, they relocate, simplify and eliminate the middle man.

In fact, the major barrier preventing Fintechs from taking more banking business is legal. Is the legal framework that allows data in a bank’s computers to represent money. It’s because of this, that banks are able to complete business transactions between economic agents.

In addition to Fintechs the banking business is also under attack from social networks. Crowdfunding (obtaining financial funds to develop projects through the participation of thousands of people) now allows you to create business without resorting to bank financing or purchasing financial advisory services offered by investment banks. The most popular platforms are Gofundme, Kickstarter, Indiegogo, RocketHub, Fundrazr, Gogetfunding and Crowdfunder.

There are two basic reasons for this broad attack on the banking business. One is the knowledge of the business, which after all these years, is well structured and defined. The other reason is the emergence of technologies that automate this knowledge.

Before proceeding I will introduce the concepts of a structured, semi-structured and unstructured problem.

  • Structured problem: in this case we can represent and solve a problem using a group of known data and processes. This type of knowledge is represented by systems (data, algorithms, machines), mathematical equations, architectural plans, engineering projects, etc. A concrete example is the ATM, or in a broader concept, the payment system. These problems are solved by deterministic systems.
  • Semi-structured problem: this exists when we can solve part of the structured problem, but there is a part of a group of data that is unstructured and we need to use statistical models to reach a conclusion. Examples: public opinion polls, or decision support systems. These problems are solved using statistical models.
  • Unstructured problem: when there is no model, either deterministic or statistical that can solve the problem. Crime is an example of this kind of problem. There is no model that solves crime, either deterministic or statistical. There are a number of tools to address crime, but that does not prevent it from happening.

In summary, structured problems are solved by structured knowledge (deterministic models), semi-structured problems are solved by semi-structured knowledge (statistical models) and unstructured problems are not solved until it’s possible to model the problem.

Let’s see what is happening with the banking business:

  • All structured knowledge can be represented by data and algorithms, making decisions in automated processes.
  • The semi-structured knowledge can also be represented by the new technologies of Big Data (statistical databases) and predictive statistical algorithms with a high degree of confidence.
  • Companies based on structured and semi-structured knowledge as retail financial business, tend to be fully automated.
  • This automation doesn’t need branches and people to provide financial services and meet customers needs.
  • Banks, which are financial intermediaries, are being attacked by the digital economy, with an almost “do it yourself” approach.
  • Operating banking capacity, based on the banking technique of its employees and current information systems will be replaced with equipment, databases and algorithms.
  • The commercial banking skills of bank employees will be replaced by Artificial Intelligence techniques:
    • Predictive algorithms that anticipate customer needs and
    • Interfaces that will understand human behavior
  • The bank of the future will be a set of databases, statistical databases, algorithms and equipment that interacts intelligently with customers.
  • The bank of the future will be essentially a fixed-cost business, where the marginal cost of generating one more operation will tend to zero.
  • The value of a retail bank will reside:
    • In owned algorithms,
    • In owned databases and
    • In capabilities to access Big Data, owned and generated.

So to win this battle, banks need to assemble teams to define and implement the critical algorithms for business in several dimensions:

  • Interface with customers and between systems;
  • Operational support for customers  throughout their life;
  • Forecasting the needs of each customer;
  • New generic products that adapt in real time to each client

It is clear that the banks that lack these capabilities have no future. And they have to adapt now, while they are still protected by the legal system.

 

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O futuro do negócio bancário

OnlineBankingO negócio bancário está num impasse. Para ser claro não estou a falar dos problemas atuais mais emergentes como a capitalização e o crédito mal parado. Refiro-me ao negócio bancário em si. Vejamos o que se está a passar. (Read in English)

Hoje, tal como no passado recente aconteceu com o negócio dos livros (Amazon), da música (Spotify) e mais recentemente dos filmes e tv (Netflix), ou tal como está a acontecer com o negócio do transporte individual (Uber) ou dos hotéis (Airbnb), o negócio bancário está sob ataque da transformação digital da economia.

As chamadas Fintechs, ou empresas que hoje proporcionam uma série de serviços financeiros baseados na digitalização dos processos financeiros e dos interfaces, estão activamente a ocupar cada vez mais os espaços que os bancos tem vindo a ocupar nos últimos 100 anos. E fazem isto por uma fracção do custo que os bancos têm, pois através da digitalização, deslocalizam, simplificam e desentermediam o negócio financeiro.

Na realidade a grande barreira que impede que as Fintechs se apoderem de mais negócio bancário é a barreira legal, isto é, o quadro legal que permite que os dados nos computadores dos bancos representem dinheiro e serviam para fechar transacções comerciais entre os vários agentes económicos.

Além das Fintechs o negócio bancário também está sob ataque das redes sociais.  O crowdfunding (obtenção de fundos financeiros para desenvolvimento de projectos através da participação de milhares pessoas) hoje permite que se criem negócios sem recorrer ao financiamento bancário ou à compra de serviços de consultoria financeira oferecido pelos bancos de investimento. As plataformas mais conhecidas são o Gofundme, Kickstarter, Indiegogo, Rockethub, Fundrazr, Gogetfunding e o Crowdfunder.

Há duas razões básicas para que o negócio bancário esteja sob ataque. Uma é o conhecimento do negócio, que após estes anos todos, está bastante estruturado e definido. A outra razão é o surgimento de tecnologias que permitem automatizar este conhecimento.

Antes de continuar vou introduzir os conceitos de problema estruturado, problema semi-estruturado e problema desestruturado.

  • Problema estruturado: existe quando conseguimos representar e resolver um problema através de um grupo de dados e processos conhecidos. Este tipo de conhecimento é representado por sistemas (dados, algoritmos, máquinas), equações matemáticas, plantas de arquitectura, projectos de engenharia, etc.  Um exemplo concreto do nosso dia a dia é o Multibanco, ou num conceito mais alargado, o sistema de pagamentos. Estes problemas são resolvidos por sistemas determinísticos.
  • Problema semi-estruturado: existe quando podemos resolver parte do problema de forma estruturada, mas há uma parte, um grupo de dados, que não é estruturado e que necessitamos de recorrer a modelos estatísticos para chegarmos a alguma conclusão. Exemplos: sondagens de opinião pública, ou sistemas de apoio à decisão. Estes problemas são resolvidos por modelos estatísticos.
  • Problema desestruturado: quando não há um modelo nem determinístico nem estatístico que consiga resolver o problema.  A criminalidade é um exemplo deste tipo de problema. Não há nenhum modelo que resolva a criminalidade, nem determinístico nem estatístico. Há uma série de ferramentas para tratar a criminalidade, mas que não impedem que ela aconteça.

Sumarizando, problemas estruturados são resolvidos por conhecimento estruturado (modelos determinísticos), problemas semi-estruturados são resolvidos por conhecimento semi-estruturado (modelos estatísticos) e problemas desestruturados não são resolvidos enquanto não se conseguir modelar o problema.

Vejamos então o que se passa com o negócio bancário:

  • Todo o conhecimento estruturado pode ser representado por dados e algorítmos, transformando as decisões em processos automáticos.
  • O conhecimento semi-estruturado também pode ser representado, através das novas tecnologias do Big Data (bases de dados estatísticas) e por algorítmos estatísticos preditivos com grande grau de confiança.
  • As empresas baseadas em conhecimento estruturado e semi-estrutrado, como os negócios financeiros de retalho, tendem a ser completamente automatizados
  • Esta automatização desentermedia a relação entre os serviços financeiros e os clientes.
  • Os bancos, intermediários financeiros, estão a ser atacados pela economia digital, que desentermedia as relações comerciais.
  • As competências bancárias operacionais, baseadas na técnica bancária dos seus colaboradores e nos sistemas de informação atuais serão substituidos por equipamentos, bases de dados e algorítmos.
  • As competências bancárias comerciais dos seus colaboradores serão substituidas por:
    • Algorítmos preditivos que anteciparão as necessidades dos clientes e
    • Interfaces motivacionais do comportamento
  • A banca do futuro será um conjunto de base de dados, bases de dados estatísticas, algorítmos e  equipamentos que interagirão de forma inteligente com os clientes.
  • A banca do futuro será um negócio essencialmente de custo fixo, onde o custo marginal de gerar mais uma operação tenderá a zero.
  • O valor de um banco de retalho residirá:
    • Nos algorítmos que possuir,
    • Nas bases de dados que possuir e
    • No acesso ao Big Data que tiver e for capaz de gerar.

Assim, para vencer no futuro, os bancos precisarão de montar equipas que definam e implementem os algorítmos críticos para o negócio nas várias dimensões:

    • Interface com os clientes e entre sistemas
    • Suporte operacional à vida dos clientes
    • Previsão das necessidades de cada cliente
    • Novos produtos genéricos que se adaptem em tempo real a cada cliente

Fica claro que os bancos que não se digitalizarem não têm futuro. E têm de o fazer enquanto estão protegidos pelo sistema legal.

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O Fisco e a Comunicação com os Contribuintes ou as melhores práticas para maltratar os seus clientes!

Qualquer pessoa, mesmo aquele que, por ventura, entendamos que não merece, gosta de ser tratado com urbanidade. Por princípio, respeitamos muito mais quem nos respeita, quem nos trata com educação e quem é amável connosco, do quem nos fala com agressividade, mesmo com educação, ou quem nos fale com má educação.

Se, além de tudo, formos cumpridores das nossas obrigações, quer com os fornecedores quer com os serviços públicos, não gostamos de receber comunicações da nossa máquina fiscal, em que nos fala com tom agressivo e ameaçador.

Dou o meu exemplo:

  • No próximo dia 2 de setembro tenho que liquidar o meu IRS de 2014
  • Nestes anos todos de contribuinte:
    • Nunca deixei de pagar os meus impostos
    • Nunca incumpri um prazo de pagamento com o fisco
  • Recebi, via email, três comunicações sobre esta obrigação:
    1. A 14 de Agosto, com o assunto “Decorre até ao dia 31 de agosto….”
    2. A 26 de Agosto, com o assunto “Alerta pagamento IRS_2014”
    3. A 31 de Agosto, com o assunto “Alerta pagamento IRS_2014”

A primeira comunicação tem um tom normal, indicando que está a decorrer o prazo de pagamento, mas tem duas falhas fundamentais, não indica a data de pagamento (pressupõe que é 31-Ago e é 2-Set), e informa para ir à opção “> Cobrança / Pagamentos > IRS” (poderia ser um link, mesmo que fosse necessário primeiro autenticarmo-nos), que não consta da navegação de primeiro nível do site das finanças:

OpcoesSiteFinancas

As outras duas comunicações são idênticas e absolutamente ameaçadoras. Ameaçam logo com a instauração de processo de execução fiscal, utiliza um português legalista e não uma comunicação normal e foram enviadas pelo “Chefe”, que não sabemos quem é, mas deve ser importante:

eMailAlertaFiancas

Como referi acima, já pago impostos há muitos anos. Sendo cumpridor, estou farto de ser tratado como um devedor, como um criminoso, estando sob suspeita do fisco. Entendo que qualquer cidadão cumpridor deve ter os mesmos sentimentos.

Mudar o sistema é fácil. Bastaria que a rotina que emite alertas não fosse arcaica. Consultaria a situação do contribuinte e veria se este é devedor ou não. Se o sistema fosse um pouquinho mais inteligente, os dados do contribuinte poderiam incluir uma série de alertas comportamentais e classificarem o contribuinte de acordo com o seu histórico. Poderia, por exemplo, para os contribuintes sem dívidas dar-lhes 5 dias de prazo extra, como bónus, recompensando-o pelo seu comportamento. E muito mais se poderá imaginar.

Mas para isso é necessário mudar a cultura, o que é muito mais difícil. É preciso que os funcionários que definam os sistemas tenham essa mentalidade, é necessário que as hierarquias tenham essa mentalidade, mais, é necessário que os POLÍTICOS, que mandam nos serviços, TENHAM ESSA MENTALIDADE.

A questão base é que os serviços públicos ainda tratam os contribuintes como no tempo de Salazar. Ainda há aquela cultura, desculpem a classificação, “fascista” no tratamento dos cidadãos. Ainda há a cultura que a “carneirada” faz o que os serviços públicos manda e mais nada.

Isto não é cultura democrática. Isto é cultura fascista. Isto não é ser tratado como cumpridor e votante, é ser tratado como um bandido, que à partida somos todos, e que, até que provemos o contrário, nunca cumprimos as nossas obrigações, mesmo que o façamos.

Num estado democrático, onde somos inocentes até que se prove que somos culpados, esta forma de tratar os contribuintes pode ser classificada de antidemocrática, de fascista. E porquê? Porque ao contrário do que diz a lei, junto aos serviços públicos, somos culpados até que provemos o contrário.

Isto também se aplica aos fornecedores que são oligopólios. É assim também que as operadoras de telecomunicações nos tratam. Mesmo sendo três e havendo alguma concorrência, no fundo não se distinguem umas das outras quanto ao tratamento dos clientes, somos a mesma “carneirada”.

Para não serem diferentes, também funcionam à base da cunha. Somos “carneirada” até termos uma cunha. Com uma cunha somos “VIP”.

Porque não temos serviços fiscais idênticos aos outros países europeus? Porque andamos sempre a precisar de uma cunha para sermos tratados com dignidade?

Já passaram 41 anos do 25 de Abril!

Basta!

 

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Incertezas de Esquerda, pragmatismo de Direita!

Quer a esquerda quer a direita andam equivocados. Contudo a esquerda mostra sinais muito mais inquietantes de não perceber o mundo. Ainda não notaram que já não vivemos no clássico modelo capitalista explorado pelos capitalistas.

Hoje vivemos numa sociedade onde grande parte da exploração dos trabalhadores foi substituída por máquinas. Existe um “cérebro” central, a internet, de que todos fazemos parte e para o qual todos contribuímos. Hoje existe uma economia digital que é completamente diferente da economia capitalista e onde os economistas, de esquerda e direita, andam às apalpadelas.

Hoje se Marx fosse vivo teria a clarividência de ver que a libertação do homem, do ponto de vista de evolução histórica (que era a sua perspetiva) está mais perto do que nunca de se concretizar.

Contudo a esquerda está completamente perdida. Com a automatização e a ausência cada vez maior de trabalho para o homem (o trabalho é feito pelas máquinas = hardware + software + comunicações), a esquerda fala em perda de empregos, quando deveria estar preocupada em criar estruturas sociais que fizessem a ponte entre o Ontem Capitalista e o Amanhã Digital.

Há uma falta enorme de entendimento pelo que está a acontecer. Poucos percebem que a grande diferença entre economia capitalismo e economia digital, é que a primeira é uma economia baseada na Escassez e a segunda é uma economia baseada na Abundância.

O que faz esta diferença é um pequeno detalhe. Na economia digital o custo marginal é ZERO. Quando se produz algo no digital, fica produzido. Depois é só replicar. O custo de replicar é ZERO.

Quando alguém faz uma música ou um livro e o publica digitalmente, milhões poderão ter acesso sem os constrangimentos de um processo de fabricação capitalista. O custo marginal de imprimir um livro é infinitamente maior (é o que dá dividir por zero) do que a replicação digital, pois consome matérias-primas, instalações, mão-de-obra, armazenamento e distribuição, nem sequer considerando todos os custos de controlo burocrático destas operações eliminadas.

É esta diferença que deixa a esquerda sem chão. Já não há instalações industriais para gravar CDs nem para imprimir livros (músicas e livros só são exemplos de produtos já totalmente digitalizados). Com a progressiva digitalização da economia, por exemplo as impressoras 3D, isto só tende a avançar e cada vez mais rápido. Assim há cada vez menos trabalhadores explorados. A revolução não será mais pela implantação radical do socialismo, mas pela substituição gradual da economia capitalista pela economia digital e em rede, onde as pessoas são donas do seu tempo, aquele que era apropriado pelos capitalistas.

Por outro lado a direita anda a ver como consegue manter a economia capitalista, tentando fazer com que o modelo “gatekeeper” dessa economia perdure, para assim manter o controlo sobre a escassez, apropriando-se dos lucros. É uma tarefa infrutífera. A economia digital e em rede não pára. Só tende a aumentar. E um bom exemplo disto é a Grécia.

Sim a Grécia. Queiramos ou não a Grécia, apesar de estar confrontada com condições dificílimas, está na realidade à frente na revolução da economia em rede, proporcionada pela digitalização do mundo. Face à carência de meios, face a austeridade forçada, a sociedade civil tem vindo a organizar-se em redes de partilha de transportes, de distribuição de alimentos, de partilha de tempo dos componentes da rede para suprir necessidades uns dos outros e aí por diante.

É o que a imaginação lograr. E isto é a auto apropriação do tempo por cada componente da rede, partilhando-o com a rede. É a libertação. Lá se vai a apropriação do tempo pelos capitalistas no processo produtivo.

Trata-se nada mais do que a criação de um modelo alternativo à economia capitalista. Não sei se dura nas formas até hoje encontradas. Nem isso interessa para nada, pois estas sementes haverão de evoluir para modelos mais refinados que atendam as necessidades dos componentes da rede. Tudo isto só é possível graças à digitalização do mundo e, em especial, à revolução de acesso e partilha de informação proporcionado pelas redes sociais, habilitado primeiro pelos computadores pessoais, mas radicalizado pelos telemóveis.

Assim a esquerda, que quer a revolução pela eliminação do capitalismo, substituindo-o pelo socialismo, trilha um caminho completamente desfasado da realidade. Está no meio da revolução e não entende. Não entende, porque sempre concebeu a troca do capitalismo pelo socialismo como uma mudança radical (ler Lenine para mais informação).

Por isso quando vemos as propostas do PS (bem, aqui há tanta indecisão que não percebemos bem quais são, mas pelo menos há os princípios), do PCP e do Bloco de Esquerda, vemos que não percebem o mundo e que fazem propostas que não têm aderência nenhuma à realidade.

Por outro lado temos a coligação PSD/CDS, que também não entende o que se está a passar. No entanto tem uma grande vantagem sobre a esquerda. Essa vantagem é ideológica. Não há ideologia, mesmo que os chamem de neoliberais. São muito mais pragmáticos. Têm um instinto de sobrevivência muito maior. Não percebem o que se passa e não têm soluções de longo prazo, mas são flexíveis e vão-se adaptando com realismo às mudanças. E isto faz uma diferença fundamental aos olhos dos cidadãos, que se apercebem que dali vem realismo e que entendem as consequências que terão nas suas vidas, independente de serem boas ou más.

Esta reflexão leva-me à conclusão que a probabilidade do PSD/CDS ganhar as eleições é realmente muito maior. As pessoas querem ter algumas certezas no futuro, para poderem lidar com a vida (sei com que linhas me coso).

Independentemente de serem boas ou más, o baixo nível de incerteza ajuda a tomar as decisões mais adequadas a cada momento de vida. E isto é demasiado importante para cada família para optarem pela incerteza, mesmo que seja contra a austeridade.

Voltando à Grécia, o seu exemplo ajuda a tomar a decisão. O Syriza, na tentativa de obter menos austeridade, o que gerou, na realidade, foi MAIS AUSTERIDADE.

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To Big to Fail

Esta é a expressão usada para que bancos enormes façam disparates como os de 2007 nos EUA, e depois um pouco por esse mundo fora.

Aparentemente essa crença também se espalhou aos países. Dizia há 2 ou 3 anos atrás, então em Paris, o Eng. José Sócrates que as dívidas soberanas não são para se pagar.

O Syriza acredita nisso. Mas estamos a um passo da falência da Grécia. Não será bom para ninguém, mas será mesmo muito pior para o povo Grego.

Esta síndrome da invulnerabilidade devido ao status ou ao tamanho tem uma longa tradição. Os romanos também acreditavam que o seu império nunca acabaria.

Mas a história diz-nos que não é assim. Chega sempre o momento em que o desequilíbrio se torna impossível de sustentar. Foi assim com a Lehman Brothers, foi assim com a Singer (no início do século XX tinha cerca de 150.000 empregados), foi assim com todos os grandes impérios e será assim com a Grécia se não ajustar as despesas às receitas.

O desequilíbrio é sempre a causa das rupturas. Quando se fala em austeridade para se convencer a população de que isso é um mal, está-se a cometer uma desonestidade intelectual.

Esta desonestidade advém do facto de que é impossível manter desequilíbrios entre despesas e receitas por muito tempo. Basta experimentarmos com o nosso orçamento doméstico e, de seguida, entraremos num período de “austeridade”, isto é, de ajuste forçado por termos gasto mais do que ganhamos. Dou um exemplo amplamente conhecido, quer por ganhar muito, quer por gastar mais ainda e por isso já faliu um par de vezes, Elton John. Passou por períodos de “austeridade” até que consegui equilibrar as despesas com as receitas.

Voltando ao título deste artigo, podemos ainda descubrir outros desequilíbrios que diariamente encontramos:

  • To Big to Listen: quandos as empresas se tornam demasiado grandes e deixam de ouvir os clientes. Só ouvem os gestores e accionistas. Mais cedo ou mais tarde perdem clientes e rentabilidade,  a não ser que sejam monopólios ou oligopólios, como os de cá da terrinha;
  • Too Big to Care. Aqui há vários exemplos:
    • Quando os sindicatos estão mais interessados em si próprios e se estão nas tintas para os clientes que lhes pagam os salários: Metro, Carris, CP, TAP, Fenprof, …
    • Quando os hospitais se tornam tão grandes que se “perdem” os doentes. Nestes casos é o voluntarismo dos funcionários que resolve o problema dos pacientes.

No dia 5 de Julho veremos o que o povo Grego decide. Se continua na ilusão de que pode manter os desequilíbrios ou se “cai na real” e opta pelo ajuste.

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Pugilistas

Lutadores e pugilistas são diferentes.

O lutador luta, quando tem que o fazer, quando está encurralado, quando alguém ou algo em que realmente acredita está ameaçado. É urgente e é pessoal.

O pugilista, por outro lado, luta em pequenas batalhas apenas para se divertir. O pugilista tem um hobby e o hobby é ser oposição.

O pugilista pode transformar qualquer afirmação, citação ou evento numa oportunidade para ter um argumento que nos derruba e nos faz questionar qualquer coisa.

Em vez de jogar xadrez, o pugilista joga connosco.

Os pugilistas dão grandes comentaristas nas televisões. E ainda por cima parecem que estão envolvidos no debate de ideias. Com o tempo, percebemos que eles estão mais interessados ​​em ver as reações que provocam, em vez de estarem interessados na resolução do problema em discussão.

Um pugilista a sério, tem uma longa lista de iscas inteligentes que deixam qualquer um sem argumentos. É claro que não se pode vencer, porque para o pugilista o debate é sobre o próprio argumento.

O melhor mesmo é chamá-lo de pugilista, de alguém que não está interessado em construir, mas apenas em discutir e ganhar as discussões. Depois voltamos ao trabalho para produzirmos algo que melhore o mundo, para fazermos a diferença, algo que um pugilista nunca fará, melhorar o mundo!

Tradução livre de “Pugilists” por Seth Godin.

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Ser bom em matemática

É tentador cair na armadilha de acreditar que ser bom em matemática é uma predisposição genética, o que nos retira o fardo de saber matemática. A verdade é que, com raras exceções, todos nós somos capazes de sermos bons em matemática.

Concedo de que para ser excecional em matemática é necessário ser dotado, mas se não somos bons em matemática, não é por causa dos genes. É porque não tivemos um professor de matemática que se importava o suficiente para nos ensinar realmente matemática. Em vez disso, os professores que tivemos ensinaram-nos, provavelmente, a memorizar fórmulas e a sermos bons em testes de matemática.

Ser bom em testes de matemática padronizados é inútil. Estes testes não medem o conhecimento real, somente amplificam um sistema que não funciona.

Do que precisamos é de ser exigentes e implacáveis em conseguir bons professores de matemática, para que os nossos filhos sejam bons em matemática, mudando a situação existente, em que a maioria não é.

Se podemos ler, podemos saber matemática. Matemática, tal como a leitura, não é opcional, é o nosso futuro e ajuda-nos a libertar do medo de criarmos e sermos inovadores.

“Será que uma pizza de 20 cm2 cabe num prato redondo de 23 cm de diâmetro sem transbordar?” é uma pergunta que nos deve fazer sorrir em vez de a querermos evitar.

Tradução do post “Good at math” por Seth Godin

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E na 5ª feira 10 de Julho de 2014 a Goldman Sachs salvou o BES e o Mundo

Na passada 5ª feira à noite a Goldman Sachs (GS) parece ter salvo o BES e o mundo.

Os sinais de problemas que o GES e o BES emitiram abalaram o mercado financeiro mundial durante todo o dia 10 de Julho. Contudo a nota emitida pela GS ao final do dia, dizendo que não havia motivo para preocupação acalmou os mercados.E porquê?

A primeira pergunta a fazer é porque terá sido necessário a GS falar? Porquê que apesar do BdP e do BCE estarem envolvidos no tema só o comunicado da GS fez com que o problema não escalasse a nível mundial?

Porque infelizmente, o clima regulatório da Europa carece de estabilidade e confiança do público. Os mercados financeiros necessitam de alguma orientação com credibilidade e o que ficou demonstrado na 5ª feira é que os mercados acreditam mais na GS do que no BdP e no BCE.

A crise da passada quinta-feira começou quando a Espirito Santo International não fez alguns pagamentos de dívidas. A ES International é uma grande empresa holding que detém, entre outras coisas, o Banco Espírito Santo (BES).

Apesar do BES ser relativamente pequeno à escala global, é um peso pesado em Portugal. O pior é que é grande o suficiente para que o governo Português, profundamente endividado, não tenha capacidade de resgatar o BES. Foi por isso que o medo de “contágio” surgiu tão rapidamente.

A União Europeia estabeleceu a fiscalização financeira conjunta em 2011. A Autoridade Bancária Europeia tem vindo a realizar “testes de stress” que, supostamente, são para descobrir esses problemas.

Quando se teme que um banco, representando apenas 0,3% do total de ativos bancários da zona euro, possa abalar os mercados financeiros de todo o mundo, mesmo por um curto período de tempo, algo não vai bem.

E o que não vai bem é a confiança. As pessoas, obviamente, não têm confiança na UE para supervisionar as suas próprias instituições financeiras.

Felizmente, a Goldman Sachs emitiu um boletim ao final do dia de 5ª feira, 10 de Julho, dizendo que os problemas do Grupo Espírito Santo são menores e não deverá ter implicações sistémicas.

Essa mensagem foi suficiente para acalmar os mercados, por agora, mas este episódio ainda é preocupante. O sistema bancário da Europa permanece frágil e ainda não há um acordo de topo em como mantê-lo estável, ou como ser capaz de parar uma crise maior.

Mas mesmo a Goldman Sachs tem limites.

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A Insustentabilidade da Segurança Social

No meu artigo a Raiz da Corrupção afirmo que a corrupção surge quando:

  • “Alguém com poder mas sem a propriedade, pode utilizar esse poder para obter vantagens a seu favor”.

No caso da Segurança Social já vai-se mais além. Já não alguém que se aproveita da propriedade de terceiros para obter vantagens a seu favor. Trata-se de um conjunto alargado de políticos de várias gerações e de vários quadrantes políticos, que entende que as poupanças feitas, ao longo de muitos anos, com muito sacrifício por todos os que labutam, podem ser manipuladas e utilizadas sem o consentimento dos proprietários.

Isto já não é corrupção, é roubo em larga escala feito pelos governantes aos seus concidadãos.

Abaixo reproduzo um texto que me chegou. Não sou o autor mas entendo que devo partilhar esta reflexão.

Também não conheço o autor e, desde já, peço desculpa pela liberdade de ter publicado o texto mas, entendo que é importante perceber-se um pouco da história da Segurança Social.

Início de citação:

A Insustentabilidade da Segurança Social

A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974.

As contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%).

O Estado nunca lá pôs 1 centavo.

Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu.

Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser “mãos largas”! Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores).

Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos. Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido), em 1997, hoje chamado RSI.

E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados.

Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo “assalto” àqueles Fundos.

Cabe aqui recordar que os Governos de Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou.

Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs. Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o “Livro Branco da Segurança Social”.

Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos “saques” que foi fazendo desde 1975.

O montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões €.

De 1996 até hoje, os Governos continuaram a “sacar” e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados.

Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o “Livro NEGRO da Segurança Social”, para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante atualizado, depois dos “saques” que continuaram de 1997 até hoje.

Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE.

Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS?

Claro que não!…

Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?

Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões €!…

Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!…

Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido.

A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!…

Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos.

Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.

Fim de Citação.

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Passos Coelho e o medo da insignificância

Após uma ausência de 3 meses e depois da época estival, estava novamente na hora de partilhar as minhas reflexões.

Não posso falar de outro assunto que não seja a atuação do governo. Este assunto enche-nos o dia-a-dia e a alma. Não é possível ficar indiferente ao desempenho do primeiro-ministro e da sua equipa.

Quando há cerca de um ano este Governo tomou posse, senti a determinação do Sr. Primeiro-ministro em encontrar uma solução para a situação de bancarrota em que se encontra o País. Retirando o ruido das habituais picardias entre os vários partidos, a verdade é que se definiu um programa para 2012 de forma a encarar o problema, que tinha o apoio do PS, PSD e CDS, a grande maioria da Assembleia da República.

No meu círculo social há pessoas que se opuseram desde logo às medidas então tomadas. Nestes debates entre amigos sempre defendi que não me pronunciaria sobre as medidas tomadas para 2012, enquanto não visse a execução orçamental. A razão era simples, o problema era demasiado complexo, pois há demasiadas variáveis comportamentais. Era necessário começar por algum lado. Entendi que as medidas do final de 2011 e do orçamento de 2012 eram isso mesmo, o início de um processo para resolver o problema da bancarrota em que estamos. Como é óbvio processos destes são dolorosos e todos nós sentimos, uns mais do que outros.

A meio deste ano ficou claro que o plano não estava a funcionar. Há duas razões básicas para isso. A primeira é que as medidas provocaram uma queda abrupta do consumo e por isso da receita fiscal. A segunda razão, para mim a mais grave, é que o corte da despesa do estado está a ser demasiado lento, o que não permite equilibrar as receitas com as despesas e, como em qualquer casa de família, quando se gasta mais do que se ganha o resultado é sempre a falência.

Face à evidência de que a receita não estava a funcionar, tem-se discutido muito na comunicação social que a solução não é mais austeridade, mas aumentar o ritmo no corte das despesas e afinar as medidas fiscais para se aumentar a receita.

Neste ínterim veio o Tribunal Constitucional pronunciar como inconstitucional o corte dos dois subsídios à função pública. Então todos percebemos que deveria haver mais medidas que permitissem resolver um dos maiores cortes de despesa do estado jamais efetuados, embora à custa dos mais fracos. E todos pensamos que haveria uma série de medidas em que o governo iria aumentar a receita fiscal através de mais impostos, acompanhadas de medidas de corte da despesa.

Na 6ª feira dia 7 de setembro, veio o Sr. Primeiro-ministro anunciar a primeira grande medida. Antes de um jogo de futebol da seleção disse-nos que iria aumentar a contribuição para a Previdência Social em 7%, ficando o governo com 1,25% deste valor e dando às empresas 5,75%.

Mas o tema não ficou por aí. Na 3ª feira, dia 11, também antes do jogo da seleção, veio Sr. Ministro das finanças anunciar mais medidas, e terminou a dizer numa entrevista de que ainda vem mais por aí, não só para resolver o problema de 2013, como teremos mais ainda para 2012 (provavelmente medida idêntica a 2011, outra vez a metade do subsídio de natal).

A sociedade foi rápida a responder. Levantamo-nos todos, trabalhadores, sindicatos e empresários, como por exemplo o Eng. Belmiro de Azevedo ou o Sr. Nuno Carvalho, contra a medida, não importando sequer a simpatia partidária, já que a Dra. Manuela Ferreira Leite encarregou-se de por os pontos nos “is” em entrevista à TVI24. O Primeiro-ministro tinha conseguido uma unanimidade.

Quando todos pensávamos que o Primeiro-ministro e a sua equipa eram extremamente obedientes à Troika, ficámos a saber que o Sr. Abebe Selassie, chefe da missão do FMI, que a ideia peregrina da TSU afinal era de autoria do próprio governo.

Isto levou-me a perguntar, afinal o que é que move o Sr. Passos Coelho? Qual é a sua motivação? O que o leva a ter tudo e todos contra ele?

Cheguei a uma conclusão. Se tem um país todo contra e continua teimosamente pelo mesmo caminho, só o pode mover o MEDO DE SER INSIGNIFICANTE como primeiro-ministro. E não é muito difícil de perceber. Com qual governante é que o Sr. Passos Coelho se compara? Obviamente com o Prof. Cavaco Silva.

Todos sabemos da história partidária do PSD o que se passou entre o Prof. Cavaco Silva e o Sr. Passos Coelho. A mim parece-me que essa história está bem viva na memória do Sr. Primeiro-ministro. E agora tem a oportunidade de se tornar no SALVADOR DA PÁTRIA, de ser melhor que a sombra que reside em São Bento, de ter mais significado para o País do que o Sr. Cavaco Silva, mesmo que não tenha tantas competências académicas.

O pior, como diz o Eng. Belmiro de Azevedo, isto é mesmo navegação à vista. Esta afirmação foi complementada pela Dra. Manuela Ferreira Leite quando disse que governar não é fazer modelos econométricos no computador.

Há realmente uma grande dose de falta de experiência nesta governação. Na área mais sensível de governação temos dois académicos sem experiência empresarial, o Sr. Dr. Álvaro Pereira e o Sr. Dr. Victor Gaspar, e um Primeiro-ministro onde também não se conhece história de gestor de sucesso.

Cometem-se continuamente uma série de erros básicos. O Dr. Victor Gaspar quer controlar a tesouraria das empresas. Não entendo como se pode controlar a contabilidade de todas as empresas, nem pensei que estivesse a viver na Coreia do Norte. E admito que a tentativa que vai ser feita vai bloquear operacionalmente as empresas, quando o governo deveria facilitar-lhes a vida baixando o custo da burocracia.

Por outro lado Primeiro-ministro aconselha o Eng. Belmiro a Baixar preços. Não entendo como economista que é o Sr. Primeiro-ministro poder confundir preços com custos. Qualquer estudante de gestão ou economia sabe que os preços são uma função de mercado e não uma função dos custos de produção. Os custos são relevantes para saber se vale a pena produzir. É que se os custos de produção forem maiores que o preço do mercado, então não vale a pena produzir. Quem define o preço é o mercado. Aliás é um dos “Ps” do Marketing.

Outro exemplo. Os académicos da economia comportamental têm estudos que apontam para estratégias completamente diferentes das utilizadas. Lendo Dan Ariely fica-se a saber que lidamos muito melhor com o sacrifício quando este vem todo de uma vez. Por isso recomenda a estratégia de fazermos logo todos os sacrifícios em vez de ser às prestações.

E o que fez o governo faz? Passa os sacrifícios a conta-gotas. Primeiro o Sr. Primeiro-ministro anuncia a nova TSU. Depois o Sr. Ministro das finanças anuncia mais austeridade. Mas não se fica por aqui, pois terminou dizendo, “isto não é tudo, ainda há mais”. Pergunto: é sadismo ou ignorância?

Mas há mais erros e que são a causa da unanimidade dos portugueses contra o atual governo. Olhando para a Grécia vemos que as ondas sucessivas de austeridade têm provocado uma queda sem precedentes no PIB na receita fiscal do Governo Grego. Tanto assim que o défice está sempre a aumentar e a Grécia negocia neste momento o 3º pacote de ajuda. Aqui, há cerca de 2 meses, tivemos uma entrevista do mesmo quadro do FMI que se pronunciou esta semana, dizendo que “Receitas não são solução para substituir cortes salariais”.

E o que fez o governo faz? Vai aumentar os impostos. Digo impostos porque não acredito que este aumento dos impostos gerem aumento de receita. Quando o Ministro Gaspar diz que prevê uma contração de 1% no PIB para 2013 e a taxa de desemprego em 15,5% é porque teimosamente não percebe que retirar liquidez à população provoca queda no consumo e por isso menos venda, mais recessão, o que vai fechar empresas e vai por mais portugueses no desemprego. Mas como os modelos econométricos do Sr. Ministro das finanças dizem que o PIB cai 1% e a taxa de desemprego vai para 15,5%, então assim será (vá-se lá saber quais são os pressupostos do modelo que o Sr. Ministro Gaspar usa). Agora, sem modelos econométricos e usando a intuição. Sei que não é credível mas a minha aposta é que, com estas medidas, o PIB cai pelo menos 2% e a taxa de desemprego vai para os 16,5% a 17%. Aproveito para atualizar a minha previsão feita com o “nariz” com uma mais fundamentada feita pelo BNP Parisbas, publicada no jornal OJE.

Concluo com a pergunta:

Será que o Sr. Primeiro-ministro por ter medo de se tornar insignificante vai levar-nos ao inferno?

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