Ensinamos o Ontem quando deveríamos ensinar o Amanhã

Num momento de crise como este, torna-se claro que a capacidade de enfrentar os desafios futuros é um importante contributo que podemos dar aos nossos filhos.

Quando olhamos para as nossas escolas, para o nosso sistema de ensino vemos outra crise. Discute-se muito. Basicamente está-se num processo em que o Ministério da Educação faz reformas, os professores contestam e ninguém se entende. O que parece certo é que, os principais interessados, os clientes – os alunos, são os que não conseguem ter qualquer voz ativa, apesar do esforço das associações de pais.

E qual é o verdadeiro problema? O verdadeiro problema é estarmos a preparar os nossos filhos para o Ontem, em vez de os preparar Amanhã. As escolas não produzem o que deveriam produzir: pessoas preparadas para enfrentar o futuro, a economia do conhecimento, o Amanhã. O atual processo de ensino está obsoleto porque ainda não evoluiu da produção industrial em lote (salas de aula), repetitiva e em velocidade constante (o Ontem), para o processo digital, interativo, explorando as ferramentas de comunicação disponíveis. Ferramentas adequadas para a economia do conhecimento, o Amanhã.

Não vivemos mais na economia industrial. O paradigma de produção em massa, indiferenciada, a preços unitários baixos ainda existe mas já não faz a diferença. É o Ontem. O que faz a diferença, o que tem valor, é produzir produtos e serviços únicos. E produzir algo adequado a um consumidor específico, ou a um pequeno grupo. Essa é a economia do conhecimento. O Amanhã. O que vale é o conhecimento escasso, que permite produzir uma música única, um par de calças à medida, um computador à medida, um carro à medida. Ou produtos de conhecimento como os motores de busca, ou a enciclopédias como a Wikipedia. E essa é a economia das ideias, do conhecimento. É para essa economia, o Amanhã, que devemos preparar os nossos filhos e não estamos a fazê-lo.

Neste raciocínio a pergunta que se coloca é “então que edução é essa, interativa?” Creio que ninguém ainda sabe responder a essa questão, mas já há ferramentas que permitem o aprendizado à velocidade adequada a cada aluno em particular, que permitem explorar o conjunto de interesses de cada um, que dão liberdade criativa e que, fundamentalmente (muito importante), dão resposta imediata ao desempenho obtido o que permite três coisas:

  • Repetir o aprendizado para resolver as lacunas encontradas;
  • Comparação imediata com os pares;
  • Conhecimento imediato do resultado alcançado.

A resposta imediata à aprendizagem é extremamente motivador. Imagine uma aula clássica de matemática. O professor está no quadro a “debitar” matéria, a fazer exemplos. Haverá pelo menos 3 tipos de alunos:

  • Os que têm tanta facilidade em entender o que o professor diz que em pouco tempo ficam entediados pela perda de tempo;
  • Os que têm a velocidade de aprendizado idêntica à velocidade de explicação do professor e por isso serão os mais motivados;
  • Os que têm uma velocidade de aprendizado inferior e que de todo não acompanham, por mais esforço que façam. Desmotivam-se porque vêm a matéria como algo impossível de alcançar.

Numa sala de aula com 30 alunos teremos, provavelmente, mais tipos de alunos. Haverá aqueles que olham para a matéria, qual ela seja, e perguntam-se “para quê que isto serve?” e “quando na vida vou utilizar isto?”.

Mas voltemos ao exemplo da matemática. Qual é a alternativa? Há várias alternativas. Por exemplo podemos ter uma aula de matemática gravada (ver Khan Academy: www.khanacademy.org). Se está gravada pode ser vista repetidamente. Quem não entende à primeira pode fazer a aula novamente. Por outro lado as aulas são curtas. No máximo 15 minutos. O suficiente para se aprender um tópico e sem distrações, sem perda de atenção.

Outra alternativa é jogar um vídeo game. Podemos ter vídeo games que ensinem matemática, química, história, etc. Os vídeo games têm uma grande vantagem. São sedutores, motivadores. E são-no porque dão resposta imediata sobre o desempenho obtido, pois obtém-se uma pontuação e compara-se com uma multidão anónima que já jogou o mesmo jogo. Também motiva porque é possível progredir pelos vários estágios. Não seria mais fácil e motivador ensinar matemática aos nossos filhos se em vez de estarem nas aulas estivessem a aprender jogando vídeo games?

Os dois exemplos dados mostram um caminho alternativo. O caminho da interatividade. O caminho que tem como pressuposto, fazer, errar, corrigir. Um caminho em que se percebe os progressos de imediato. Um caminho em que se aprende a arriscar, mesmo que haja insucesso, pois sempre poderemos repetir a experiência. Um caminho que obriga ao raciocínio para que se tente soluções distintas, que estimula a inovação.

Se queremos que os nossos filhos enfrentem o futuro não os podemos preparar para o mundo de Ontem, a economia industrial. Temos que os preparar para o mundo do Amanhã, a economia do conhecimento. O bilhete de entrada para a economia do conhecimento é a capacidade de aprender rápido e sempre.

Sobre Julio Garcia

Interessado em comportamento humano, marketing social, redes sociais, inteligência coletiva e como o design afeta o comportamento. Interest in human behavior, social marketing, social networks, collective intelligence and how the design affects human behavior.
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